segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

UM SONHO

Sou eu
O escuro
Da noite lenta
Que chega
De mansinho
Na beira da praia
Engolindo o mar.

Sou eu
A solidão
Que invade meu coração
Num dia quente de verão
E relembra momentos
Que vivi ao luar.

Sou eu
O frio
Da chuva que cai
Como um fio bem fino
Entra em meu sonho
E me faz sonhar.

Sou eu
O amor adormecido
Que na noite fria
Me faz pronunciar teu nome
Mesmo dormindo
Gemer de amor
Quase tonto
Sentir teu beijo
Sentindo teu cheiro
Me fez acordar

Zema Farias

SOLIDÃO





Sólida solidão

Que o sol fazia

Em pleno dia

Só li dão

Ão di los

De Solidão

Que o Sol doía

De solidão

Ao meio-dia.


Zema Farias

LUA


A lua passa vagarosamente no céu da cidade de minha emoção, é lua cheia de brilho que pergunta ao meu filho se eu sofro de solidão.



A lua vem novamente clareando a minha face, minguando todo o disfarce que entristece o meu coração.



No vazio de minha vida encontro a lua crescendo louca, louca de desejos tentando dar-me um beijo, para livrar-me da desilusão.



Tomo um banho de lua, ela agora é nova e tento fazer uma trova para alimentar meu amor, que por dentro está ferido, sozinho e desiludido beijando a face da dor.

Zema Farias

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ÚLTIMO VERSO





Meu último verso terá chamas ardentes que não queimam e clamará muito por amor, mas por um amor sem explicação, sem limites, sem padrões e sem espaço para traição. Também falará de algo proibido e livre ao mesmo tempo, pois só desta forma poderá sobreviver.




Meu último verso será o inverso de tudo que já escrevi e vivi, nele não caberão máscaras, ilusões, fantasias nem mágoas de amor. Ele abalará as estruturas das pessoas que fingem-se de cegas, para não assistirem o filme da verdadeira realidade.


Zema Farias

INFL (AMAVEL) AÇÃO

A bomba atômica voa ligeiro, faz seu ataque preciso, diretamente ao meu coração
.



A bomba atômica liga, as cerejas e os fios de cobre diretamente ao meu coração.




Tudo em silêncio, confiro os segundos e repentinamente sinto um cheiro de rosas. Um líquido quente sai de meu corpo, faço um aborto dos sentimentos no escuro, no avesso do meu coração.




A bomba atômica some ligeiro e deixa meu corpo cansado. Fico tonto no meio a uma hemorragia de lembranças que vão e vem por causa de sua inflamável ação


J. Farias
.

TEMPO DE MENINO

Zequinha
Batom
Amaro
Xará
Zema
Que todo dia
pega o bonde
E não se esconde.

Menino
Poeta
Pateta
Desligado
Mas se alguém der um toque
Ele vai até o fim.

Brincalhão
O triste menino cresceu
Apaixonado pela vida
Iludido pelos sonhos
Que ora vem da realidade
ora vem da ilusão.

Ainda hoje
O menino vive
No coração do Amaro
Do zequinha
do Batom
Do Xará
Do Zema
Que cheio de esquema
Passeia por sua vida
E toma banho
Brincando na aorta
Do seu coração...

Zema Farias